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Governo dos EUA impõe sanções a brasileiros por ligações financeiras com o PCC

Redação Redação
01 de julho de 2026
11:40
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Governo dos EUA impõe sanções a brasileiros por ligações financeiras com o PCC

Esta é a primeira ofensiva econômica da de Donald Trump após classificar as facções brasileiras como organizações terroristas internacionais.

Por Redação Tribuna Amazônica

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (1º), a aplicação de sanções econômicas contra dois cidadãos brasileiros e três empresas sediadas no país. A medida, formalizada pelo Departamento do Tesouro norte-americano, fundamenta-se em investigações que apontam o envolvimento dos alvos em uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro ligada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Essa iniciativa representa o primeiro desdobramento prático no campo econômico desde que a gestão de Donald Trump elevou o PCC e o Comando Vermelho (CV) ao status de grupos terroristas internacionais, em junho passado.

Conforme o comunicado oficial do Departamento do Tesouro, os sancionados são:

  • Victor Henrique de Oliveira Shimada
  • Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira
  • Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda.
  • Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda.
  • Wave Construções Inteligentes Ltda.

Além das empresas brasileiras, a companhia portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., que também possui vínculo societário com Shimada, foi incluída na lista de restrições.

Ameaça à segurança internacional e conexões criminosas

No documento emitido pelas autoridades americanas, o PCC foi classificado como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental, representando, portanto, uma ameaça direta à segurança nacional dos EUA.

As investigações, concentradas no estado da Flórida, indicam que os acusados operavam uma estrutura internacional de ocultação de capitais. No início deste ano, em janeiro, outras seis pessoas suspeitas de integrar o mesmo esquema já haviam sido detidas em solo americano.

O papel dos acusados e os desdobramentos no Brasil

As autoridades dos EUA apontam Victor Henrique de Oliveira Shimada como uma peça-chave na conexão entre integrantes da facção na Flórida e traficantes internacionais. Segundo o Departamento do Tesouro, ele teria lavado mais de US$ 30 milhões gerados por atividades ilícitas em diversas cidades norte-americanas, utilizando criptomoedas para internalizar os recursos no Brasil.

Shimada já é conhecido das autoridades brasileiras; em julho de 2025, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por lavagem de dinheiro em desdobramentos ligados ao caso da VaideBet, antiga patrocinadora do Corinthians. Os EUA ressaltaram que a empresa Victory Trading foi utilizada para desviar e lavar ativos do clube paulista, embora o nome da agremiação não tenha sido textualmente citado no comunicado internacional.

Quanto a Stella Stefanie, o relatório aponta que ela atuava diretamente com Shimada no suporte logístico, operando como intermediária no recolhimento e na movimentação de expressivas quantias em espécie.

Endurecimento da política externa americana

Gene Lange, subsecretário norte-americano para Terrorismo e Inteligência Financeira, destacou que a ação visa sufocar as fontes de financiamento do crime organizado que tentam se consolidar em território americano. “Não se pode permitir que o crime organizado estabeleça operações em solo americano que contribuam para a criminalidade”, declarou a autoridade.

Assim sendo, com o bloqueio de bens e as restrições financeiras impostas, os investigados ficam severamente limitados de operar no sistema financeiro global, consolidando a nova postura de tolerância zero adotada por Washington face às organizações criminosas da América do Sul.